A economiabrasileiraregistra altas temperaturas, e atéo mercado imobiliáriosente o calor.Com a reforma tributária, juros a 14% ao ano e inflação fora da meta, quem tem patrimônio em imóveis pode enfrentar dificuldades para colocar um inquilino para dentro.
É nessa hora que as dúvidas costumam bater à porta. Afinal, com a Selic em dois dígitos, será que valemaisa pena vender o imóvelque não é a sua moradiapara investir na renda fixa?Ou é melhor insistir no aluguel?
Segundo o último levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip),os preços dos imóveis no paísaumentaram15,78% em julho, enquantoo índice dos preços delocação para residênciasubiu 5,08% no mesmo período. Ou seja, os imóveis estãosevalorizando mais do que os preços dos aluguéis.
À primeira vista, pode até parecer que está valendo mais se desfazer do imóvel.Porém, os especialistasSheyneRogers, planejador financeiro pessoal da Planejar, eoProf.Dr. Claudio Alencar, do Núcleo de RealEstateda Poli/USP, avaliam que a análise precisa ir muito além.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, eles destacam que os dados são uma média geral e, quando examinados isoladamente, não são métricas suficientemente fortes para tomar a decisão, já que a realidade de cada imóvel e localidadepode variar.
“Apesar de o cenário macroeconômicovalerpara todo o país, com os juros altos eocrescimento da economia comprimido, não dá para falar genericamente do mercado imobiliário para locação residencial. É preciso analisar a situação efetiva de um certo imóvel em uma certa região”, afirmou Alencar.
Então, afinal, quando vale a pena vender o imóvelque funciona como investimentoem vez de alugá-lo? Segundo os especialistas, a resposta depende. Oproprietário precisa avaliar os objetivos financeiros e colocar na ponta do lápis os custos de cada opção.
Vender ou alugar o imóvel: como fazer as contas
Segundo Rogers, um erro comum é avaliar o valor bruto doaluguel. É essencial queo proprietário calcule oyield(retorno) líquido, considerando descontoscomo manutenção, impostos e até mesmo o risco de o imóvel ficar desocupado ou deo inquilino não pagar o aluguel.
De acordo com os cálculos do especialista, uma taxa bruta de retorno com aluguel — ou seja, o valor recebido mensalmente em relação ao preço do imóvel — próxima de 0,7% é atrativa, mas difícil de alcançar.
Por isso, Rogers avalia que um imóvel de R$ 1 milhão alugado por R$ 4 mil, por exemplo, já oferece um retorno de 0,4%, considerado um bom patamar para ajudar a cobrir os custos enquanto o imóvel se valoriza.
Porém, ainda é necessário avaliar o custo de oportunidade. Se a valorização do imóvel está baixa, enquanto a Selic paga 14%, pode valer a pena vender o imóvel para não ter o patrimônio concentradonum único ativoe gerando pouco retorno.
Por outro lado, com a alta dos juros, os compradores enfrentam maiores dificuldades para pagar o financiamento do imóvel. Esse cenário pode levar a uma redução do valor da casa ou apartamento no mercado, o que também precisa ser levado em conta.
Para colocar na ponta do lápis se vale vender ou alugar um imóvel, o proprietário precisa considerar o valor atual de mercado do empreendimento, e não o preçoque pagou quando o adquiriu.
Além disso, o vendedor precisa saberaté quanto de desconto consegue dar para o comprador, dado que pode haver negociação. Segundo Alencar,a taxabásicade juros é uma boa métrica, então o rendimentoa ser obtidocom a venda devecorresponder, no mínimo,aos14% ao anoda Selic atual.
A decisão na ponta do lápis
Com esse valor, é hora de colocar os custos no papel. Os impostos devem ser os primeiros a serem calculados. Caso a venda seja pontual, a transação com lucrofica sujeitaà incidência de imposto de renda sobre os ganhos, a uma alíquotaque variade 15% a 22,5% sobre a diferença entre o valor de venda e o valor declarado.
Porém, se a pessoa física realizar mais de três vendas de imóveis em um ano, passa a ser vista pela Receita Federaltambémcomo contribuinte do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Com o valor finalem mãos, basta calcular quantoelerenderia nos investimentos desejados.
Apedido do Seu Dinheiro, Rogers realizou uma simulação sobre os custos a serem avaliados. Para isso, considerou um imóvel adquirido por R$ 500 mil e vendido por R$ 1 milhão.Para esse valor de ganho de capital (R$ 500 mil), a alíquota de IR é de 15%.
O planejadorainda considerou uma taxa média de 6% para corretagem, custos de R$ 3 mil com cartórios e vistorias, assim como R$ 10 mil em possíveis reformas para a venda do imóvel.Confira a simulação:
| Cenário A — Venda do imóvel | |
| Valor de venda bruto | R$ 1.000.000,00 |
| (-) Corretagem | (R$ 60.000,00) |
| (-) Escritura/registro da aquisição | (R$ 3.000,00) |
| (-) Reformas/preparação para venda | (R$ 10.000,00) |
| (-) Quitação de financiamento/outros ônus | – |
| Ganho de capital tributável (após deduções) | R$ 427.000,00 |
| (-) IR sobre ganho de capital ajustado | (R$ 64.050,00) |
| Valor líquido estimado da venda | R$ 862.950,00 |
Segundo os cálculos do planejador financeiro, o valor líquido da venda, ou seja, o total recebido após o pagamento dos custos de corretagem, reformas, ônus eimposto de rendaestimado, seria de R$ 862.950em um imóvel vendido por R$ 1 milhão.
Caso o proprietário desse imóvel optasse por investir o valor, por exemplo,no Tesouro IPCA+ 2032 teria uma rentabilidadelíquidade12,37% ao ano.Ao final do investimento, receberia R$1.726.586,85.Já na poupança, o montanterenderia R$1.317.009,18no mesmo período.
Porém, vale ressaltar que não é recomendado alocar todos os recursos em um único investimento. Para simular a rentabilidadedos títulos públicos, você pode consultar acalculadora do Tesouro Direto aqui.
Já para avaliar se a locação vale mais a pena, o proprietário deveconsiderar gastos com manutenção, reparos, seguro, corretagem, taxa de imobiliária e custos dos impostos sobreo aluguel.
Atualmente, a alíquota do Imposto de Renda Pessoa Física(IRPF)pode chegar a 27,5%. Por isso, em alguns casos, a criação de umaholdingimobiliária pode reduzir os gastos.O Seu Dinheiro explicou quando vale a pena nesta matéria aqui.
Além disso, o condomínio e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) precisam entrar nos cálculos, embora seja comum os inquilinos arcarem comestes custos. Isso porque é necessário incluir o risco de períodos de vacância.
Para a simulação, Rogers estabeleceu um aluguel de R$ 4 mil por mês, ou seja, R$ 48 mil por ano.Também considerou uma taxa média de 8% com administração imobiliária e de 5% de manutenções anuais.
Já os custos com condomínio e IPTU estabelecidos foram de R$ 2,5 mil,enquanto os gastos com seguro foram fixados em R$ 1,2 mil.Confira a simulação:
| Cenário B —Locação do imóvel | |
| Aluguel bruto anual | R$ 48.000,00 |
| (-) Vacância estimada(1 mês por ano) | (R$ 4.000,00) |
| Aluguel efetivo após vacância | R$ 44.000,00 |
| (-) Administração imobiliária | (R$ 3.520,00) |
| (-) Manutenção anual | (R$ 2.400,00) |
| (-) IPTU/condomínio em vacância | (R$ 2.500,00) |
| (-) Seguro/garantias/outros custos | (R$ 1.200,00) |
| Base antes do IR | R$ 34.380,00 |
| (-) IR sobre aluguel | (R$ 9.454,50) |
| Aluguel líquido anual | R$ 24.925,50 |
| Aluguel líquido mensal médio | R$ 2.077,13 |
| Retornobrutoanualsobre valor atual | 4,80% |
| Retornolíquidoanualsobre valor atual(R$ 1 milhão) | 2,49% |
| Retornolíquido sobre valor líquido da venda | 2,89% |
Segundo os cálculos de Rogers,excluídas as obrigações financeiras do proprietário, o aluguel médio seria de R$ 2.077,13,o que representa um retornolíquidoanualde 2,49%e mensal de 0,2%.
Caso o proprietário desse imóvel optasse por investiros R$ 2,077,13todo mês, por exemplo, no Tesouro IPCA+ 2032 teria uma rentabilidade de 12,19% ao ano. Ao final do investimento, receberia R$215,55mil.Já na poupança, o dinheiro renderia R$185.679,26no mesmo período.
Ou seja, o retorno para quem vende o imóvel e investe o valor na renda fixa é, sim, maior. Porém,avaliar só o dinheiro que pode entrar no bolso é suficiente para tomar essa decisão? Os especialistas dizem que não.
Além dos cálculos: uma questão de perfil
Antes de colocar os números na calculadora,os especialistasindicam fazer uma análise deperfil de investidor.
Se você for um investidor moderado ou conservador, provavelmente não está disposto a se expor a grandes riscos. Por isso,manter um imóvel na carteirapara locaçãotende aser mais atrativo, mesmo que represente ganhos menores.
Masos especialistas ressaltam queaindaé importante entender quais são as condições do ativo.Até para entender se há, realmente, possibilidade de valorização no médio ou longo prazo.
Jáse você for um investidor mais arrojado, quebusca valorização intensa em prazos mais curtos, a venda do empreendimento pode ser uma tática vantajosa.
“Um investidor muito racional, sem grande apego ao imobiliário, pode ser mais propenso a vender e aplicar no mercado financeiro se os cálculos indicarem um retorno superior”, disseAlencar.
O planejamento financeiro da família ou do investidor também é fundamental, uma vez que o imóvel deve ter uma finalidade clara, seja gerar renda ou buscar valorização ao longo do tempo.
Segundo Rogers,o investimento emimóvel é de longo prazo, por ser um ativo e patrimônio perene.”Os movimentos devem ser bem pensados nessa perspectiva, enão olhando apenas para o próximo ano ou semestre”, avaliou.
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A economiabrasileiraregistra altas temperaturas, e atéo mercado imobiliáriosente o calor.Com a reforma tributária, juros a 14% ao ano e inflação fora da meta, quem tem patrimônio em imóveis pode enfrentar dificuldades para colocar um inquilino para dentro.
É nessa hora que as dúvidas costumam bater à porta. Afinal, com a Selic em dois dígitos, será que valemaisa pena vender o imóvelque não é a sua moradiapara investir na renda fixa?Ou é melhor insistir no aluguel?
Segundo o último levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip),os preços dos imóveis no paísaumentaram15,78% em julho, enquantoo índice dos preços delocação para residênciasubiu 5,08% no mesmo período. Ou seja, os imóveis estãosevalorizando mais do que os preços dos aluguéis.
À primeira vista, pode até parecer que está valendo mais se desfazer do imóvel.Porém, os especialistasSheyneRogers, planejador financeiro pessoal da Planejar, eoProf.Dr. Claudio Alencar, do Núcleo de RealEstateda Poli/USP, avaliam que a análise precisa ir muito além.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, eles destacam que os dados são uma média geral e, quando examinados isoladamente, não são métricas suficientemente fortes para tomar a decisão, já que a realidade de cada imóvel e localidadepode variar.
“Apesar de o cenário macroeconômicovalerpara todo o país, com os juros altos eocrescimento da economia comprimido, não dá para falar genericamente do mercado imobiliário para locação residencial. É preciso analisar a situação efetiva de um certo imóvel em uma certa região”, afirmou Alencar.
Então, afinal, quando vale a pena vender o imóvelque funciona como investimentoem vez de alugá-lo? Segundo os especialistas, a resposta depende. Oproprietário precisa avaliar os objetivos financeiros e colocar na ponta do lápis os custos de cada opção.
Vender ou alugar o imóvel: como fazer as contas
Segundo Rogers, um erro comum é avaliar o valor bruto doaluguel. É essencial queo proprietário calcule oyield(retorno) líquido, considerando descontoscomo manutenção, impostos e até mesmo o risco de o imóvel ficar desocupado ou deo inquilino não pagar o aluguel.
De acordo com os cálculos do especialista, uma taxa bruta de retorno com aluguel — ou seja, o valor recebido mensalmente em relação ao preço do imóvel — próxima de 0,7% é atrativa, mas difícil de alcançar.
Por isso, Rogers avalia que um imóvel de R$ 1 milhão alugado por R$ 4 mil, por exemplo, já oferece um retorno de 0,4%, considerado um bom patamar para ajudar a cobrir os custos enquanto o imóvel se valoriza.
Porém, ainda é necessário avaliar o custo de oportunidade. Se a valorização do imóvel está baixa, enquanto a Selic paga 14%, pode valer a pena vender o imóvel para não ter o patrimônio concentradonum único ativoe gerando pouco retorno.
Por outro lado, com a alta dos juros, os compradores enfrentam maiores dificuldades para pagar o financiamento do imóvel. Esse cenário pode levar a uma redução do valor da casa ou apartamento no mercado, o que também precisa ser levado em conta.
Para colocar na ponta do lápis se vale vender ou alugar um imóvel, o proprietário precisa considerar o valor atual de mercado do empreendimento, e não o preçoque pagou quando o adquiriu.
Além disso, o vendedor precisa saberaté quanto de desconto consegue dar para o comprador, dado que pode haver negociação. Segundo Alencar,a taxabásicade juros é uma boa métrica, então o rendimentoa ser obtidocom a venda devecorresponder, no mínimo,aos14% ao anoda Selic atual.
A decisão na ponta do lápis
Com esse valor, é hora de colocar os custos no papel. Os impostos devem ser os primeiros a serem calculados. Caso a venda seja pontual, a transação com lucrofica sujeitaà incidência de imposto de renda sobre os ganhos, a uma alíquotaque variade 15% a 22,5% sobre a diferença entre o valor de venda e o valor declarado.
Porém, se a pessoa física realizar mais de três vendas de imóveis em um ano, passa a ser vista pela Receita Federaltambémcomo contribuinte do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Com o valor finalem mãos, basta calcular quantoelerenderia nos investimentos desejados.
Apedido do Seu Dinheiro, Rogers realizou uma simulação sobre os custos a serem avaliados. Para isso, considerou um imóvel adquirido por R$ 500 mil e vendido por R$ 1 milhão.Para esse valor de ganho de capital (R$ 500 mil), a alíquota de IR é de 15%.
O planejadorainda considerou uma taxa média de 6% para corretagem, custos de R$ 3 mil com cartórios e vistorias, assim como R$ 10 mil em possíveis reformas para a venda do imóvel.Confira a simulação:
| Cenário A — Venda do imóvel | |
| Valor de venda bruto | R$ 1.000.000,00 |
| (-) Corretagem | (R$ 60.000,00) |
| (-) Escritura/registro da aquisição | (R$ 3.000,00) |
| (-) Reformas/preparação para venda | (R$ 10.000,00) |
| (-) Quitação de financiamento/outros ônus | – |
| Ganho de capital tributável (após deduções) | R$ 427.000,00 |
| (-) IR sobre ganho de capital ajustado | (R$ 64.050,00) |
| Valor líquido estimado da venda | R$ 862.950,00 |
Segundo os cálculos do planejador financeiro, o valor líquido da venda, ou seja, o total recebido após o pagamento dos custos de corretagem, reformas, ônus eimposto de rendaestimado, seria de R$ 862.950em um imóvel vendido por R$ 1 milhão.
Caso o proprietário desse imóvel optasse por investir o valor, por exemplo,no Tesouro IPCA+ 2032 teria uma rentabilidadelíquidade12,37% ao ano.Ao final do investimento, receberia R$1.726.586,85.Já na poupança, o montanterenderia R$1.317.009,18no mesmo período.
Porém, vale ressaltar que não é recomendado alocar todos os recursos em um único investimento. Para simular a rentabilidadedos títulos públicos, você pode consultar acalculadora do Tesouro Direto aqui.
Já para avaliar se a locação vale mais a pena, o proprietário deveconsiderar gastos com manutenção, reparos, seguro, corretagem, taxa de imobiliária e custos dos impostos sobreo aluguel.
Atualmente, a alíquota do Imposto de Renda Pessoa Física(IRPF)pode chegar a 27,5%. Por isso, em alguns casos, a criação de umaholdingimobiliária pode reduzir os gastos.O Seu Dinheiro explicou quando vale a pena nesta matéria aqui.
Além disso, o condomínio e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) precisam entrar nos cálculos, embora seja comum os inquilinos arcarem comestes custos. Isso porque é necessário incluir o risco de períodos de vacância.
Para a simulação, Rogers estabeleceu um aluguel de R$ 4 mil por mês, ou seja, R$ 48 mil por ano.Também considerou uma taxa média de 8% com administração imobiliária e de 5% de manutenções anuais.
Já os custos com condomínio e IPTU estabelecidos foram de R$ 2,5 mil,enquanto os gastos com seguro foram fixados em R$ 1,2 mil.Confira a simulação:
| Cenário B —Locação do imóvel | |
| Aluguel bruto anual | R$ 48.000,00 |
| (-) Vacância estimada(1 mês por ano) | (R$ 4.000,00) |
| Aluguel efetivo após vacância | R$ 44.000,00 |
| (-) Administração imobiliária | (R$ 3.520,00) |
| (-) Manutenção anual | (R$ 2.400,00) |
| (-) IPTU/condomínio em vacância | (R$ 2.500,00) |
| (-) Seguro/garantias/outros custos | (R$ 1.200,00) |
| Base antes do IR | R$ 34.380,00 |
| (-) IR sobre aluguel | (R$ 9.454,50) |
| Aluguel líquido anual | R$ 24.925,50 |
| Aluguel líquido mensal médio | R$ 2.077,13 |
| Retornobrutoanualsobre valor atual | 4,80% |
| Retornolíquidoanualsobre valor atual(R$ 1 milhão) | 2,49% |
| Retornolíquido sobre valor líquido da venda | 2,89% |
Segundo os cálculos de Rogers,excluídas as obrigações financeiras do proprietário, o aluguel médio seria de R$ 2.077,13,o que representa um retornolíquidoanualde 2,49%e mensal de 0,2%.
Caso o proprietário desse imóvel optasse por investiros R$ 2,077,13todo mês, por exemplo, no Tesouro IPCA+ 2032 teria uma rentabilidade de 12,19% ao ano. Ao final do investimento, receberia R$215,55mil.Já na poupança, o dinheiro renderia R$185.679,26no mesmo período.
Ou seja, o retorno para quem vende o imóvel e investe o valor na renda fixa é, sim, maior. Porém,avaliar só o dinheiro que pode entrar no bolso é suficiente para tomar essa decisão? Os especialistas dizem que não.
Além dos cálculos: uma questão de perfil
Antes de colocar os números na calculadora,os especialistasindicam fazer uma análise deperfil de investidor.
Se você for um investidor moderado ou conservador, provavelmente não está disposto a se expor a grandes riscos. Por isso,manter um imóvel na carteirapara locaçãotende aser mais atrativo, mesmo que represente ganhos menores.
Masos especialistas ressaltam queaindaé importante entender quais são as condições do ativo.Até para entender se há, realmente, possibilidade de valorização no médio ou longo prazo.
Jáse você for um investidor mais arrojado, quebusca valorização intensa em prazos mais curtos, a venda do empreendimento pode ser uma tática vantajosa.
“Um investidor muito racional, sem grande apego ao imobiliário, pode ser mais propenso a vender e aplicar no mercado financeiro se os cálculos indicarem um retorno superior”, disseAlencar.
O planejamento financeiro da família ou do investidor também é fundamental, uma vez que o imóvel deve ter uma finalidade clara, seja gerar renda ou buscar valorização ao longo do tempo.
Segundo Rogers,o investimento emimóvel é de longo prazo, por ser um ativo e patrimônio perene.”Os movimentos devem ser bem pensados nessa perspectiva, enão olhando apenas para o próximo ano ou semestre”, avaliou.
The post Está difícil achar inquilino para o seu imóvel? Veja se vale a pena vender para aplicar na renda fixa e ganhar dois dígitos appeared first on Seu Dinheiro.
A economiabrasileiraregistra altas temperaturas, e atéo mercado imobiliáriosente o calor.Com a reforma tributária, juros a 14% ao ano e inflação fora da meta, quem tem patrimônio em imóveis pode enfrentar dificuldades para colocar um inquilino para dentro.
É nessa hora que as dúvidas costumam bater à porta. Afinal, com a Selic em dois dígitos, será que valemaisa pena vender o imóvelque não é a sua moradiapara investir na renda fixa?Ou é melhor insistir no aluguel?
Segundo o último levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip),os preços dos imóveis no paísaumentaram15,78% em julho, enquantoo índice dos preços delocação para residênciasubiu 5,08% no mesmo período. Ou seja, os imóveis estãosevalorizando mais do que os preços dos aluguéis.
À primeira vista, pode até parecer que está valendo mais se desfazer do imóvel.Porém, os especialistasSheyneRogers, planejador financeiro pessoal da Planejar, eoProf.Dr. Claudio Alencar, do Núcleo de RealEstateda Poli/USP, avaliam que a análise precisa ir muito além.
Em entrevista ao Seu Dinheiro, eles destacam que os dados são uma média geral e, quando examinados isoladamente, não são métricas suficientemente fortes para tomar a decisão, já que a realidade de cada imóvel e localidadepode variar.
“Apesar de o cenário macroeconômicovalerpara todo o país, com os juros altos eocrescimento da economia comprimido, não dá para falar genericamente do mercado imobiliário para locação residencial. É preciso analisar a situação efetiva de um certo imóvel em uma certa região”, afirmou Alencar.
Então, afinal, quando vale a pena vender o imóvelque funciona como investimentoem vez de alugá-lo? Segundo os especialistas, a resposta depende. Oproprietário precisa avaliar os objetivos financeiros e colocar na ponta do lápis os custos de cada opção.
Vender ou alugar o imóvel: como fazer as contas
Segundo Rogers, um erro comum é avaliar o valor bruto doaluguel. É essencial queo proprietário calcule oyield(retorno) líquido, considerando descontoscomo manutenção, impostos e até mesmo o risco de o imóvel ficar desocupado ou deo inquilino não pagar o aluguel.
De acordo com os cálculos do especialista, uma taxa bruta de retorno com aluguel — ou seja, o valor recebido mensalmente em relação ao preço do imóvel — próxima de 0,7% é atrativa, mas difícil de alcançar.
Por isso, Rogers avalia que um imóvel de R$ 1 milhão alugado por R$ 4 mil, por exemplo, já oferece um retorno de 0,4%, considerado um bom patamar para ajudar a cobrir os custos enquanto o imóvel se valoriza.
Porém, ainda é necessário avaliar o custo de oportunidade. Se a valorização do imóvel está baixa, enquanto a Selic paga 14%, pode valer a pena vender o imóvel para não ter o patrimônio concentradonum único ativoe gerando pouco retorno.
Por outro lado, com a alta dos juros, os compradores enfrentam maiores dificuldades para pagar o financiamento do imóvel. Esse cenário pode levar a uma redução do valor da casa ou apartamento no mercado, o que também precisa ser levado em conta.
Para colocar na ponta do lápis se vale vender ou alugar um imóvel, o proprietário precisa considerar o valor atual de mercado do empreendimento, e não o preçoque pagou quando o adquiriu.
Além disso, o vendedor precisa saberaté quanto de desconto consegue dar para o comprador, dado que pode haver negociação. Segundo Alencar,a taxabásicade juros é uma boa métrica, então o rendimentoa ser obtidocom a venda devecorresponder, no mínimo,aos14% ao anoda Selic atual.
A decisão na ponta do lápis
Com esse valor, é hora de colocar os custos no papel. Os impostos devem ser os primeiros a serem calculados. Caso a venda seja pontual, a transação com lucrofica sujeitaà incidência de imposto de renda sobre os ganhos, a uma alíquotaque variade 15% a 22,5% sobre a diferença entre o valor de venda e o valor declarado.
Porém, se a pessoa física realizar mais de três vendas de imóveis em um ano, passa a ser vista pela Receita Federaltambémcomo contribuinte do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS).
Com o valor finalem mãos, basta calcular quantoelerenderia nos investimentos desejados.
Apedido do Seu Dinheiro, Rogers realizou uma simulação sobre os custos a serem avaliados. Para isso, considerou um imóvel adquirido por R$ 500 mil e vendido por R$ 1 milhão.Para esse valor de ganho de capital (R$ 500 mil), a alíquota de IR é de 15%.
O planejadorainda considerou uma taxa média de 6% para corretagem, custos de R$ 3 mil com cartórios e vistorias, assim como R$ 10 mil em possíveis reformas para a venda do imóvel.Confira a simulação:
| Cenário A — Venda do imóvel | |
| Valor de venda bruto | R$ 1.000.000,00 |
| (-) Corretagem | (R$ 60.000,00) |
| (-) Escritura/registro da aquisição | (R$ 3.000,00) |
| (-) Reformas/preparação para venda | (R$ 10.000,00) |
| (-) Quitação de financiamento/outros ônus | – |
| Ganho de capital tributável (após deduções) | R$ 427.000,00 |
| (-) IR sobre ganho de capital ajustado | (R$ 64.050,00) |
| Valor líquido estimado da venda | R$ 862.950,00 |
Segundo os cálculos do planejador financeiro, o valor líquido da venda, ou seja, o total recebido após o pagamento dos custos de corretagem, reformas, ônus eimposto de rendaestimado, seria de R$ 862.950em um imóvel vendido por R$ 1 milhão.
Caso o proprietário desse imóvel optasse por investir o valor, por exemplo,no Tesouro IPCA+ 2032 teria uma rentabilidadelíquidade12,37% ao ano.Ao final do investimento, receberia R$1.726.586,85.Já na poupança, o montanterenderia R$1.317.009,18no mesmo período.
Porém, vale ressaltar que não é recomendado alocar todos os recursos em um único investimento. Para simular a rentabilidadedos títulos públicos, você pode consultar acalculadora do Tesouro Direto aqui.
Já para avaliar se a locação vale mais a pena, o proprietário deveconsiderar gastos com manutenção, reparos, seguro, corretagem, taxa de imobiliária e custos dos impostos sobreo aluguel.
Atualmente, a alíquota do Imposto de Renda Pessoa Física(IRPF)pode chegar a 27,5%. Por isso, em alguns casos, a criação de umaholdingimobiliária pode reduzir os gastos.O Seu Dinheiro explicou quando vale a pena nesta matéria aqui.
Além disso, o condomínio e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) precisam entrar nos cálculos, embora seja comum os inquilinos arcarem comestes custos. Isso porque é necessário incluir o risco de períodos de vacância.
Para a simulação, Rogers estabeleceu um aluguel de R$ 4 mil por mês, ou seja, R$ 48 mil por ano.Também considerou uma taxa média de 8% com administração imobiliária e de 5% de manutenções anuais.
Já os custos com condomínio e IPTU estabelecidos foram de R$ 2,5 mil,enquanto os gastos com seguro foram fixados em R$ 1,2 mil.Confira a simulação:
| Cenário B —Locação do imóvel | |
| Aluguel bruto anual | R$ 48.000,00 |
| (-) Vacância estimada(1 mês por ano) | (R$ 4.000,00) |
| Aluguel efetivo após vacância | R$ 44.000,00 |
| (-) Administração imobiliária | (R$ 3.520,00) |
| (-) Manutenção anual | (R$ 2.400,00) |
| (-) IPTU/condomínio em vacância | (R$ 2.500,00) |
| (-) Seguro/garantias/outros custos | (R$ 1.200,00) |
| Base antes do IR | R$ 34.380,00 |
| (-) IR sobre aluguel | (R$ 9.454,50) |
| Aluguel líquido anual | R$ 24.925,50 |
| Aluguel líquido mensal médio | R$ 2.077,13 |
| Retornobrutoanualsobre valor atual | 4,80% |
| Retornolíquidoanualsobre valor atual(R$ 1 milhão) | 2,49% |
| Retornolíquido sobre valor líquido da venda | 2,89% |
Segundo os cálculos de Rogers,excluídas as obrigações financeiras do proprietário, o aluguel médio seria de R$ 2.077,13,o que representa um retornolíquidoanualde 2,49%e mensal de 0,2%.
Caso o proprietário desse imóvel optasse por investiros R$ 2,077,13todo mês, por exemplo, no Tesouro IPCA+ 2032 teria uma rentabilidade de 12,19% ao ano. Ao final do investimento, receberia R$215,55mil.Já na poupança, o dinheiro renderia R$185.679,26no mesmo período.
Ou seja, o retorno para quem vende o imóvel e investe o valor na renda fixa é, sim, maior. Porém,avaliar só o dinheiro que pode entrar no bolso é suficiente para tomar essa decisão? Os especialistas dizem que não.
Além dos cálculos: uma questão de perfil
Antes de colocar os números na calculadora,os especialistasindicam fazer uma análise deperfil de investidor.
Se você for um investidor moderado ou conservador, provavelmente não está disposto a se expor a grandes riscos. Por isso,manter um imóvel na carteirapara locaçãotende aser mais atrativo, mesmo que represente ganhos menores.
Masos especialistas ressaltam queaindaé importante entender quais são as condições do ativo.Até para entender se há, realmente, possibilidade de valorização no médio ou longo prazo.
Jáse você for um investidor mais arrojado, quebusca valorização intensa em prazos mais curtos, a venda do empreendimento pode ser uma tática vantajosa.
“Um investidor muito racional, sem grande apego ao imobiliário, pode ser mais propenso a vender e aplicar no mercado financeiro se os cálculos indicarem um retorno superior”, disseAlencar.
O planejamento financeiro da família ou do investidor também é fundamental, uma vez que o imóvel deve ter uma finalidade clara, seja gerar renda ou buscar valorização ao longo do tempo.
Segundo Rogers,o investimento emimóvel é de longo prazo, por ser um ativo e patrimônio perene.”Os movimentos devem ser bem pensados nessa perspectiva, enão olhando apenas para o próximo ano ou semestre”, avaliou.
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