Nos últimos anos, o panorama dos investimentos no Brasil tem se transformado de maneira significativa. De acordo com o mais recente estudo da ANBIMA, intitulado “Raio X do Investidor Brasileiro 2026”, aproximadamente 60,6 milhões de brasileiros, representando cerca de 36% da população adulta, estão utilizando produtos financeiros como forma de investimento. Este dado indica um crescimento em relação a cinco anos atrás, quando apenas 31% da população investia.
Um aspecto interessante desta mudança é que não se trata apenas de um aumento no número de investidores, mas também na diversificação das opções de investimento. Embora a caderneta de poupança ainda seja o investimento mais popular entre os brasileiros, ela já não é mais a única opção preferida. Nos últimos anos, os títulos privados de renda fixa, como CDBs (Certificados de Depósito Bancário), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), têm se tornado cada vez mais atraentes, enquanto a poupança começa a perder espaço no portfólio dos investidores.
Para se ter uma ideia dessa mudança, mesmo que o volume total da poupança ainda seja considerável, em torno de R$ 1,02 trilhão, o valor total de CDBs, LCIs, LCAs e Letras Financeiras já alcançou quase R$ 5 trilhões em 2025, representando um aumento de 17% em relação ao ano anterior. Além disso, se considerarmos os títulos de renda fixa públicos, como as debêntures e os Certificados de Recebíveis, chegamos ao impressionante estoque de R$ 2 trilhões.
A caderneta de poupança continua a ser amplamente reconhecida e utilizada, com cerca de 22% da população ainda alocando recursos nesse investimento. Este fenômeno pode ser atribuído à tradição, ao sentimento de segurança que proporciona e à sua simplicidade. Contudo, entre aqueles que já fazem investimentos, a realidade é diferente: a proporção de investidores que utilizam a poupança diminuiu de 75% para 61% em um intervalo de cinco anos, de acordo com a mesma pesquisa da ANBIMA.
Este fenômeno aponta não para uma retirada abrupta, mas sim para uma diversificação gradual. Os investidores estão buscando novas alternativas para complementar ou substituir a caderneta de poupança, especialmente considerando que os retornos oferecidos por este tipo de investimento não são mais tão competitivos em comparação com outras opções disponíveis.
Os títulos de renda fixa privados têm se destacado como uma opção bastante atraente. A aceitação desses ativos cresceu significativamente entre os brasileiros — passando de 8% em 2021 para 20% em 2025 — e o conhecimento sobre eles também aumentou. Atualmente, cerca de 14% da população consegue mencionar espontaneamente produtos como CDB, LCI, LCA e debêntures sem ajuda externa, evidenciando um maior entendimento sobre essas opções de investimento.
Este conhecimento é ainda mais intenso nas classes sociais A e B, onde a taxa sobe para 29%, enquanto cai para apenas 1% nas classes D e E. A pesquisa revela que entre os mais jovens, a situação é ainda mais evidente: apenas 13% da Geração Z recorre à poupança, ao passo que a busca por títulos privados, fundos de investimento e criptomoedas já diminuiu a dependência da caderneta tradicional.
Mas o que leva os brasileiros a preferirem os títulos privados sobre a poupança? De acordo com a ANBIMA, o retorno considerável e o sentimento de segurança oferecido por produtos com garantias do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) são os principais fatores. A conveniência dos aplicativos de bancos e corretoras também facilitou o acesso a esses investimentos, com 63% das transações financeiras realizadas digitalmente atualmente, um crescimento em relação aos menos de 50% de cinco anos atrás.
Apesar do avanço notável na diversificação dos investimentos, essa transição não está ocorrendo uniformemente entre todas as classes sociais. A adesão aos títulos privados é predominantemente concentrada na classe A/B, onde 18% dos indivíduos afirmam possuir esses investimentos, em contraste com apenas 1% na classe D/E. Este dado indica que a desigualdade de acesso ao conhecimento financeiro e à renda ainda influencia significativamente o envolvimento da população com o mercado.
A renda familiar média na classe A/B, situada em R$ 9.355, é substancialmente maior do que a média nacional de R$ 4.627. Isso permite que essa classe consiga poupar e investir com mais facilidade, enquanto as classes C e D/E enfrentam desafios financeiros maiores. Diante desse cenário, os títulos privados estão se tornando uma alternativa acessível e desejável, especialmente após a saída da poupança.
No entanto, o crescimento no uso de títulos privados, embora promissor, levanta uma questão importante. A ANBIMA aponta que, embora haja um certo amadurecimento da cultura de investimentos no Brasil, ele é liderado principalmente por aqueles com melhor acesso a informações e recursos financeiros. Atualmente, 64% da população brasileira ainda não está inserida no mercado financeiro, e o desafio que se apresenta é como expandir essa compreensão e acesso a investimentos a todas as esferas da sociedade.
Um número crescente de brasileiros está investindo de maneira mais sofisticada. Atualmente, 60,6 milhões de pessoas — o que representa 36% da população adulta — possuem algum produto financeiro como investimento, conforme dados do Raio X do Investidor Brasileiro 2026, um levantamento anual realizado pela Anbima em colaboração com o Datafolha.
Esse é um avanço significativo em relação a cinco anos atrás, quando a proporção de investidores era apenas de 31% da população. No entanto, a novidade não é apenas o aumento no número de investidores, mas também uma mudança nas preferências em relação aos tipos de investimento.
A Poupança ainda é o produto financeiro mais popular do Brasil, mas já não é a única opção. Nos últimos anos, os títulos privados de renda fixa vêm ganhando cada vez mais espaço, enquanto a caderneta de poupança tem registrado uma diminuição dentro das carteiras dos investidores brasileiros.
- SAIBA MAIS: Agora você pode salvar suas matérias favoritas do Seu Dinheiro. Clique em “Salvar”, logo abaixo do título, e reveja suas matérias preferidas aqui no SD Select
Esses dados refletem uma mudança que está acontecendo no mercado financeiro: mesmo com o total na Poupança ainda girando em torno de R$ 1,02 trilhão, o estoque de CDBs, Letras de Crédito (LCI e LCA) e Letras Financeiras (LF) atingiu quase R$ 5 trilhões em 2025, representando um crescimento de 17% em relação ao ano anterior.
Esse montante exclui as emissões bancárias. Entre os títulos privados de renda fixa, também estão as debêntures — que podem ser isentas de imposto de renda — e os Certificados de Recebíveis (CRIs e CRAs), que também alcançaram um estoque de R$ 2 trilhões no ano passado.
A Poupança continua sendo a líder — mas perde espaço
A Caderneta de Poupança ainda é o investimento mais familiar e utilizado pelos brasileiros, com cerca de 22% da população mantendo recursos nessa modalidade. Isso se deve a décadas de tradição, à percepção de segurança e à simplicidade de uso.
No entanto, para aqueles que já investem, o cenário mudou. Nos últimos cinco anos, a fatia de investidores que optam pela Poupança caiu de 75% para 61%, de acordo com a série histórica do levantamento da Anbima.
O que se observa não é uma migração em massa, mas um esvaziamento gradual, indicando que um número crescente de pessoas está combinando a Poupança com outros investimentos ou, em alguns casos, substituindo-a por eles.
Esse movimento ocorre em um período em que o retorno da caderneta não é mais tão atrativo em comparação com outros ativos de renda fixa disponíveis.
- LEIA TAMBÉM: Super-ricos compram títulos isentos e ações; mas, para o ‘povão’, os CDBs são a nova poupança
A ascensão dos títulos privados
Os títulos privados de renda fixa têm se destacado nos investimentos nos últimos anos.
Entre os investidores brasileiros, a utilização desses papéis aumentou de 8% em 2021 para 20% em 2025, mais que dobrando a adesão em cinco anos, segundo o Raio-X do Investidor.
Esse crescimento é percebido não apenas no uso, mas também no conhecimento sobre títulos privados. Hoje, 14% dos brasileiros mencionam espontaneamente produtos como CDB, LCI, LCA e debêntures como opções financeiras conhecidas — um índice muito próximo ao da própria Poupança.
Esse dado é particularmente relevante, pois se refere ao reconhecimento espontâneo: as pessoas citam os produtos que conhecem sem precisar de exemplos, o que demonstra um conhecimento mais amplo sobre esses produtos financeiros.
Na classe A/B, essa citação espontânea sobe para 29%, superando até a familiaridade com a Poupança, que ficou em 26%.
A diferença é ainda mais evidente quando se considera a idade dos investidores. Entre os mais jovens, a Poupança perdeu relevância: apenas 13% da Geração Z utilizam a caderneta — bem abaixo da média nacional de 22% — enquanto a presença de títulos privados, fundos e criptomoedas é mais forte nesse grupo, com 10%, 8% e 8% respectivamente.
Por que escolher títulos privados?
Para a Anbima, CDB, LCI, LCA, debêntures e outros títulos privados estão se tornando a principal alternativa à Poupança.
Ao invés de migrar diretamente para a renda variável, muitos investidores veem nesses papéis uma alternativa mais familiar, apresentando renda fixa, prazos conhecidos e, em muitos casos, isenção de imposto de renda ou garantias externas (como o Fundo Garantidor de Créditos – FGC).
A pesquisa, que se baseia na percepção dos participantes, mostrou que os brasileiros indicam os seguintes motivos para escolher investir em títulos privados:
- Retorno: para 53% dos investidores, essa é a principal razão para optar pelos títulos privados.
- Segurança: 23% mencionam a percepção de segurança, particularmente em produtos bancários que oferecem garantias.
- Facilidade: a popularização dos aplicativos de bancos e corretoras facilitou o acesso. Hoje, 63% das aplicações financeiras são realizadas por canais digitais, comparado a menos de 50% há cinco anos.
Um movimento concentrado — e desigual
Apesar do crescimento, a transição da Poupança para outros investimentos não está ocorrendo de forma uniforme entre a população.
A adesão aos títulos privados é fortemente concentrada nas classes A/B, que possuem maior renda, menos pressão financeira e mais conhecimento sobre investimentos.
Enquanto 18% das pessoas da classe A/B investem em títulos privados, esse índice é de apenas 1% na classe D/E. Entre aqueles que pretendem investir nesses ativos em 2026, 16% pertencem à classe A/B, enquanto apenas 1% vêm da classe D/E.
É evidente que a capacidade de investimento deste grupo é apoiada por indicadores financeiros mais robustos. A renda familiar média da classe A/B é de R$ 9.355, um valor significativamente mais alto que a média geral de R$ 4.627.
Além disso, 31% dos membros dessa classe gastam menos do que ganham, o que lhes permite acumular capital e enfrentar menos estresse financeiro e dívidas em atraso, que são mais comuns nas classes C e D/E.
Para esses investidores, os títulos privados passaram de uma opção complexa para a principal escolha de investimento depois da Poupança.
Contudo, esses dados também ressaltam um segundo desafio, segundo a Anbima. Embora a ascensão dos títulos privados indique um desenvolvimento gradual da cultura de investimentos no Brasil, essa mudança é liderada por aqueles que possuem mais acesso e informação.
Conforme a pesquisa, 64% dos brasileiros ainda estão fora do mercado financeiro. O desafio para o futuro será se essa transformação conseguirá ultrapassar as barreiras sociais.
O post CDB, LCI, LCA e mais: como os títulos privados estão substituindo a Poupança e redesenhando o bolso dos brasileiros foi publicado primeiro em Seu Dinheiro.
CDB, LCI, LCA e mais: como os títulos privados estão substituindo a Poupança e redesenhando o bolso dos brasileiros
Nos últimos anos, o cenário econômico brasileiro tem apresentado mudanças significativas que influenciam a forma como os brasileiros investem seu dinheiro. Com a taxa Selic em patamares historicamente baixos, a tradicional Poupança, que durante anos foi a escolha preferida de muitos, vem perdendo espaço para investimentos alternativos. Entre eles, destacam-se os Certificados de Depósito Bancário (CDB), Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Este artigo explora como esses títulos privados estão redesenhando o bolso dos brasileiros e quais são suas vantagens em relação à poupança.
O que são CDB, LCI e LCA?
CDB (Certificado de Depósito Bancário)
O CDB é um título de renda fixa emitido pelos bancos para captar recursos. Ao investir em um CDB, o investidor empresta dinheiro ao banco em troca de uma remuneração que pode ser prefixada, pós-fixada ou híbrida (parte prefixada e parte pós-fixada). Os CDBs podem oferecer rentabilidade superior à da Poupança, especialmente aqueles que são de longo prazo ou de bancos menores, que costumam ter taxas mais atrativas para conquistar investidores.
LCI (Letra de Crédito Imobiliário)
As LCIs são títulos de crédito emitidos por instituições financeiras, com o objetivo de financiar o setor imobiliário. Um dos grandes atrativos da LCI é que os rendimentos são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, o que a torna uma opção bastante vantajosa em comparação com a Poupança, cujos rendimentos são tributados. Além disso, as LCIs costumam ter rentabilidades atreladas a taxas de juros mais altas do que as da Poupança.
LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)
Semelhante à LCI, a LCA é um título que visa financiar o agronegócio brasileiro. Também oferece isenção de Imposto de Renda e proporciona rentabilidade que, em muitos casos, supera a da Poupança. A relevância das LCAs cresce à medida que o agronegócio se consolida como uma das principais forças da economia brasileira.
Por que os títulos privados estão ganhando espaço?
Rentabilidade
Um dos principais fatores que leva os brasileiros a migrar para CDBs, LCIs e LCAs é a busca por maior rentabilidade. Em tempos de Selic baixa, a Poupança, com sua taxa de rendimento fixa de 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR), já não consegue oferecer uma atratividade suficiente. Em contrapartida, muitos CDBs e as letras de crédito frequentemente superam essa taxa, fazendo com que, mesmo após os impostos e outras taxas, a rentabilidade líquida seja superior.
Segurança
Além da rentabilidade, a segurança também é um fator decisivo. Os títulos oferecidos por instituições financeiras são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que garante até R$ 250 mil por CPF e por instituição. Isso oferece uma segurança semelhante à da Poupança, que tem seu depósito garantido até o mesmo limite.
Diversificação e Atendimento às Necessidades Específicas
Outro aspecto importante é que os títulos privados permitem uma maior diversificação da carteira de investimentos. Com prazos variados e diferentes estruturas de rentabilidade, os investidores conseguem alinhar seus investimentos com seus objetivos financeiros – seja um projeto a curto prazo ou a construção de um patrimônio a longo prazo.
Como escolher o melhor título?
Antes de decidir qual título comprar, é essencial avaliar alguns pontos:
- Perfil de Investidor: Entender seu nível de tolerância ao risco, objetivo financeiro e prazo de investimento é crucial.
- Liquidez: Verificar a liquidez dos títulos é importante, já que alguns podem ter carências que impedem o resgate imediato.
- Rentabilidade: Comparar as taxas oferecidas e fazer simulações de retorno é uma prática recomendada.
- Instituição Financeira: Pesquisar a reputação e a solidez do banco ou instituição emissora dos títulos.
Conclusão
A migração dos brasileiros da Poupança para títulos privados como CDBs, LCIs e LCAs reflete uma busca por melhores retornos e por estratégias de investimento mais alinhadas com suas necessidades financeiras. Embora a Poupança ainda tenha seu espaço, os benefícios oferecidos pelos títulos privados se tornam cada vez mais atraentes, contribuindo para a formação de um perfil de investidor mais informado e proativo. Assim, é possível dizer que esses instrumentos financeiros não apenas estão substituindo a Poupança, mas também estão redesenhando a forma como os brasileiros lidam com suas finanças pessoais, contribuindo para uma cultura de investimento mais sólida e consciente.



