O Fundo Garantidor de Créditos e as recentes liquidações no sistema bancário brasileiro
Atualmente, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é tema central nas discussões sobre a segurança financeira no Brasil, especialmente após as recentes liquidações de instituições como o Banco Master, will bank, Letsbank e Banco Pleno. Essas situações despertam questionamentos sobre a segurança dos investimentos e o futuro do sistema bancário nacional.
Quando um banco encerra suas atividades, surgem automaticamente dúvidas acerca da situação dos depósitos dos clientes e se outras instituições poderão sofrer o mesmo destino. O caso do Banco Master evidenciou um fenômeno que muitos podem considerar um efeito em cadeia, uma vez que outras entidades financeiras relacionadas ao conglomerado se viram em situações semelhantes.
As primeiras instituições a enfrentar dificuldades foram o Banco Master e o Letsbank, seguidos rapidamente pelo will bank e, mais recentemente, pelo Banco Pleno. Nesse contexto, muitos se perguntam se mais bancos enfrentarão a liquidação e se o FGC será capaz de ressarcir todos os investidores afetados.
É importante ressaltar que as liquidações não representam uma crise generalizada do sistema bancário brasileiro. As instituições envolvidas pertenciam a um mesmo grupo financeiro, e as investigações em curso, lideradas pela Polícia Federal e pelo Banco Central, indicam que fraudes e outros crimes financeiros podem estar no cerne dos problemas.
Em situações anteriores em que várias instituições financeiras quebraram, a atuação do FGC teria sido crucial. Afinal, ele é responsável por garantir os depósitos em contas-correntes e de poupança, além de outras aplicações em renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs.
No caso do Banco Master, no entanto, o papel do FGC assume uma relevância ainda maior. O banco, ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro, era conhecido por oferecer taxas de CDB acima das médias do mercado, o que atraiu cerca de 800 mil investidores e gerou um valor total de R$ 41 bilhões em ressarcimentos a serem pagos pelo fundo.
Embora o impacto do Banco Master sobre o sistema bancário como um todo fosse relativamente baixo, com apenas 0,6% de participação, o número significativo de clientes com depósitos na instituição é preocupante. Essa situação se agravou com as liquidações subsequentes do will bank e do Banco Pleno, elevando o total que o FGC deve desembolsar para impressionantes R$ 52 bilhões.
O que é o FGC?
O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada sem fins lucrativos, criada em 1995, cuja principal função é proteger os investidores que destinam recursos a títulos bancários. O FGC garante que, na ocorrência de problemas sérios com alguma instituição financeira, o investidor consiga recuperar até R$ 250 mil, incluindo principal e juros, por CPF ou CNPJ, dependendo de diversas condições.
Além de proteger os direitos dos investidores, o FGC também tem a missão de manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN), evitando que a falência de um banco específico possa impactar o restante da economia. Essa abordagem está alinhada com boas práticas internacionais que visam prevenir crises financeiras mais amplas.
O crescimento do mercado de renda fixa
Nos últimos anos, o setor de renda fixa no Brasil passou por transformações consideráveis. Dados recentes indicam que o estoque de títulos bancários saltou de R$ 1,34 trilhões em 2018 para R$ 4,37 trilhões em setembro de 2025. O CDB, em particular, teve um crescimento acentuado, passando de um estoque de R$ 810 bilhões para R$ 2,5 trilhões.
Esse tipo de investimento é atraente por sua simplicidade e, geralmente, apresenta retornos maiores do que a tradicional caderneta de poupança. Devido à digitalização e à facilidade de acesso a produtos financeiros diversificados, bancos de menor porte começaram a atrair recursos diretamente de investidores, usando o FGC como um diferencial para assegurar a confiança do cliente.
Limites da garantia do FGC
Apesar de a proteção oferecida pelo FGC ser robusta, ela não é ilimitada. O fundo cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ considerando todos os depósitos em instituições do mesmo grupo financeiro. Isso pode prejudicar investidores que tenham aplicações em mais de um banco em situação de liquidação. Além disso, existe um teto global de R$ 1 milhão por CPF ao longo de um período de quatro anos.
Os investidores que utilizam essa garantia devem planejar seus investimentos levando em consideração esses limites e sempre é prudente deixar uma margem de segurança ao aplicar valores altos.
Sustentabilidade financeira do FGC
Os recursos do FGC provêm das contribuições de instituições financeiras operantes, que pagam mensalmente um valor proporcional aos depósitos e títulos. Esse montante é investido em ativos de menor risco, como títulos do governo, gerando receita para o fundo. No entanto, os desembolsos recentes, especialmente em função das liquidações significativas, levantaram interrogantes sobre o futuro financeiro do FGC.
O fundo, que possuía R$ 160 bilhões até setembro de 2025, terá que se reabastecer para continuar a cumprir sua função. O Banco do Brasil, por exemplo, já se manifestou sobre a possibilidade de investir R$ 5 bilhões para ajudar a sustentar o fundo.
Historicamente, o FGC já atuou em 40 casos de instituições que enfrentaram dificuldades, e embora tenha demonstrado robustez com o tempo, a atual situação reforça a necessidade de um monitoramento contínuo para evitar que crises futuras prejudiquem a confiança dos investidores no sistema bancário brasileiro. Os desafios que surgem agora demandarão esforços e medidas proativas para garantir que o FGC continue a ser um pilar de proteção para os investidores no Brasil.
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tornou-se um ponto focal nas discussões sobre o sistema bancário brasileiro em 2026, e isso não é à toa. Recentes liquidações de bancos como o Master, will bank, Letsbank e Banco Pleno elevaram as preocupações de investidores em relação à segurança bancária e aos seus investimentos.
O fechamento das operações de um banco normalmente gera incertezas sobre o destino dos depósitos e a possibilidade de novas liquidações. No caso do Banco Master, a falência das instituições conectadas a ele parece ter provocado um efeito dominó.
As primeiras instituições a fechar as portas foram o Master e o Letsbank, seguidas pelo will bank e, mais recentemente, o Banco Pleno. A pergunta que muitos se fazem é: haverá mais liquidações? E, se sim, será que o FGC conseguirá ressarcir todos os clientes e investidores prejudicados?
Para entender a situação, é importante esclarecer que não se trata de uma crise sistêmica do sistema bancário brasileiro. As três primeiras instituições em liquidação pertenciam ao mesmo conglomerado internacional do Banco Master, enquanto o Banco Pleno era vinculado a um ex-sócio do Master.
Essas liquidações envolvem instituições financeiras interligadas e sob investigação da Polícia Federal e do Banco Central relacionada a fraudes e crimes financeiros.
Em situações normais de falência de instituições financeiras, a atuação do FGC seria crucial, pois esse fundo garante o ressarcimento de clientes com depósitos em contas-corrente e poupança, além de investidores em aplicações de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs.
No entanto, no caso do Banco Master, o papel do FGC se torna ainda mais significativo.
A entidade financeira do banqueiro Daniel Vorcaro praticava taxas de captação superiores à média do mercado por meio da emissão de CDBs, o que levou cerca de 800 mil investidores a buscar ressarcimentos via FGC após a liquidação do banco, totalizando R$ 41 bilhões em pagamentos.
Embora o Master representasse uma participação pequena no sistema bancário (0,6%), muitos investidores possuíam CDBs emitidos pela instituição.
Essa base de clientes cresceu com as liquidações do will bank e do Banco Pleno. No total, o desembolso do FGC deve alcançar R$ 52 bilhões com essas instituições incluídas.
O que é o FGC?
O FGC é uma entidade privada e sem fins lucrativos com gestão independente, o que significa que não está ligada ao governo. Fundado em 1995, o fundo recebe contribuições mensais das instituições financeiras associadas.
O objetivo do FGC é fornecer proteção aos investidores de títulos bancários (como CDBs, LCIs, LCAs, contas-correntes e poupança), assegurando que o capital investido seja devolvido caso a instituição financeira enfrente intervenção ou liquidação pelo Banco Central.
Além de proteger investidores, o FGC também visa manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional (SFN), evitando que problemas de um banco específico afetem toda a economia e seguindo boas práticas internacionais para prevenir crises bancárias sistêmicas.
Todos querem renda fixa
Nos últimos anos, o mercado de renda fixa no Brasil experimentou uma transformação significativa. Dados da XP mostram que o estoque de títulos bancários cresceu de R$ 1,34 trilhões em 2018 para R$ 4,37 trilhões em setembro de 2025.
O destaque desse crescimento é o CDB (Certificado de Depósito Bancário), que passou de R$ 810 bilhões para R$ 2,5 trilhões no mesmo período.
Considerado um investimento simples, o CDB possui características semelhantes à caderneta de poupança, mas geralmente oferece rentabilidades superiores e diárias, enquanto a poupança apresenta rendimentos mensais limitados.
A popularidade das plataformas digitais facilitou o acesso a diferentes bancos e possibilitou que instituições menores, como o Master, captem recursos diretamente de investidores, oferecendo CDBs a taxas competitivas.
A garantia do FGC se tornou um selo de confiança para esses bancos menores, que puderam oferecer taxas atrativas para competir com os grandes bancos, resultando em passivos que ultrapassavam R$ 40 bilhões em CDBs emitidos pelo Master, envolvendo 800 mil investidores.
Até onde vai a garantia do FGC
A proteção do FGC é robusta, mas possui limites.
O fundo garante até R$ 250 mil—considerando principal e juros—por CPF ou CNPJ, em relação a todas as instituições de um mesmo conglomerado financeiro.
No caso do Master, essa regra prejudicou alguns investidores. Como Master e will bank pertenciam ao mesmo conglomerado, investidores com CDBs de ambas as instituições ficaram sujeitos a um limite combo de R$ 250 mil, podendo assim ter prejuízos.
Além disso, há um teto global de R$ 1 milhão por CPF, que abrange todos os depósitos garantidos nas instituições financeiras, válido por um período de quatro anos, iniciando a contagem com a primeira liquidação que gerar valores a serem recebidos pelo investidor.
Portanto, um investidor que já tenha utilizado o limite de R$ 250 mil em ressarcimentos relacionados ao Master e will bank terá um novo limite de R$ 250 mil caso também possua CDBs do Banco Pleno, visto que este não pertence ao conglomerado Master.
No entanto, os ressarcimentos recebidos nas liquidações anteriores já podem ter consumido parte desse limite global de R$ 1 milhão.
Uma consideração importante é a regra que cobre “principal mais juros”. Se um investidor aplicar próximo ao limite de R$ 250 mil, ele pode não receber grande parte da rentabilidade ao final. O ideal é que, ao investir em títulos de bancos menores, haja a consideração de uma margem de segurança.
O FGC cobre:
- Conta-corrente e poupança;
- CDB e RDB;
- LCI, LCA e LCD;
- Letras hipotecárias;
- Letras de Câmbio;
- Conta salário; e
- Operações compromissadas.
Os investidores têm um prazo de até cinco anos para solicitar pagamentos através do aplicativo do FGC.
De onde vem o dinheiro?
Os recursos do FGC não são oriundos de impostos e nem do banco em liquidação, mas sim das instituições financeiras que estão operando.
O fundo é financiado por 244 instituições associadas, que pagam uma contribuição mensal obrigatória de 0,01% sobre o total dos depósitos e títulos cobertos.
Isso funciona como uma “mensalidade” que garante a confiança no sistema.
Os recursos do FGC são investidos em ativos de baixo risco, como títulos do Tesouro Nacional, o que proporciona uma receita financeira que contribui para a expansão do patrimônio do fundo, que atualmente é de R$ 160 bilhões.
Considerando que um terço desse valor deve ser desembolsado, o Banco Central e os principais bancos do Brasil já estão conversando sobre como reabastecer o fundo e quais regras podem ser ajustadas para evitar riscos futuros. O Banco do Brasil, por exemplo, anunciou publicamente um aporte de R$ 5 bilhões no FGC.
Desde sua fundação há 30 anos, o FGC já atuou para garantir clientes de 40 instituições que enfrentaram dificuldades financeiras.
O histórico mostra que o sistema se tornou mais robusto ao longo dos anos. O maior acionamento registrado foi em 1997, quando o Banco Bamerindus demandou R$ 3,79 bilhões, que corrigidos pela inflação corresponderiam a R$ 19,95 bilhões hoje — um valor ainda inferior ao que será desembolsado devido ao caso do Master.
O dinheiro do FGC pode acabar?
Essa é a questão crucial para muitos investidores.
Em setembro, os R$ 160 bilhões em caixa do FGC foram considerados suficientes para suportar crises severas, segundo os testes de estresse realizados pelo fundo, embora não cubram 100% de todos os depósitos no Brasil.
O fundo tem se mostrado eficaz durante a atual situação com várias liquidações bancárias. Agora, a preocupação gira em torno de reabastecer o valor que está sendo utilizado para garantir a robustez do fundo no médio e longo prazo.
Para maior segurança, o estatuto do FGC prevê que se os recursos disponíveis não forem suficientes, ele pode buscar recursos adicionais por meio de várias alternativas:
- impondo contribuições extraordinárias aos bancos;
- realizando empréstimos com instituições públicas ou privadas; e
- emitindo títulos de crédito.
Para o investidor individual que respeita os limites das regras, o FGC permanece como uma garantia válida.
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Até Onde Vai a Garantia do FGC: Mesmo com R$ 52 Bilhões a Menos, o Fundo Ainda Pode Proteger os Investidores?
Nos últimos anos, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tem sido um tema de grande relevância entre investidores e economistas. Este mecanismo funcionou como uma rede de proteção, oferecendo segurança a depositantes em instituições financeiras que enfrentaram dificuldades. No entanto, a recente redução do montante disponível no fundo em R$ 52 bilhões levantou questionamentos sobre a eficácia e a capacidade do FGC em continuar a proteger os investidores.
O Que é o FGC?
O FGC foi criado em 1995 com o objetivo de proteger os depósitos de clientes de instituições financeiras associadas em caso de falência ou intervenção do banco. A cobertura do fundo garante, atualmente, um valor de até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição. Assim, um investidor que possui contas em diferentes bancos pode ter a proteção ampliada, somando R$ 250 mil em cada um deles, o que garante uma segurança maior para a poupação e os investimentos.
A Redução do Montante do FGC
A diminuição de R$ 52 bilhões no valor do FGC se deve a diversos fatores, incluindo a performance do sistema bancário e as políticas econômicas implementadas pelo governo. Essa queda é preocupante, pois pode afetar a confiança do público em relação ao sistema financeiro, principalmente em momentos de instabilidade econômica ou crises.
Até Onde Vai a Garantia do FGC?
A pergunta que surge é: o FGC ainda é capaz de proteger os investidores, mesmo com essa redução? A resposta é complexa e depende de diversos fatores:
Sustentabilidade do FGC: O fundo é financiado por contribuições de instituições bancárias, e sua saúde financeira depende da solidez do sistema bancário como um todo. Se as instituições financeiras mantiverem uma boa gestão de riscos, o FGC poderá continuar a operar adequadamente.
Condições Econômicas: O ambiente econômico mais amplo também impacta diretamente a capacidade do fundo. Em tempos de recessão ou crise financeira, o número de falências bancárias pode aumentar, levando a um estresse maior sobre o FGC.
Diversificação dos Investimentos: Para os investidores, diversificar aplicações entre várias instituições pode significar aumentar a proteção proporcionada pelo FGC. Investimentos em diferentes bancos maximizam a cobertura por meio das garantias oferecidas.
- Informação e Educação Financeira: A conscientização sobre o funcionamento do FGC é essencial para que os investidores façam melhores escolhas. Entender como funciona a cobertura de depósitos e as limitações do fundo pode ajudar na tomada de decisões mais seguras.
Conclusão
Embora a redução de R$ 52 bilhões no montante do FGC levante preocupações, o fundo ainda desempenha um papel crucial na segurança do sistema financeiro. A proteção que ele oferece é vital para a confiança do público nas instituições bancárias. Contudo, investidores devem estar cientes dos riscos e acompanhar de perto as condições econômicas, a saúde das instituições em que investem, e considerar diversificar suas aplicações dentro da proteção que o FGC proporciona.
A resiliência do FGC dependerá não apenas de suas reservas financeiras, mas também da estabilidade econômica e da responsabilidade das instituições financeiras. O futuro da proteção ao investidor ainda está sendo moldado, e a vigilância constante será a chave para garantir segurança e confiança no sistema financeiro brasileiro.



